As sufragistas

gráficos de ações pretas

Não é muito compensador, para a indústria do cinema, o regresso aos temas ideológicos, principalmente os que consagram as lutas pelos “direitos”. Nos últimos anos, essa indústria tem abordado essas questões sociais por padrões mais excêntricos, quase sempre mais provocadores. Será por isso que talvez não venhamos a estranhar um certo insucesso de bilheteira de Suffragette, para além do espaço que lhe diz respeito em território e dos circuitos alternativos.

Fita de Sarah Gavron

Porém, a fita de Sarah Gavron deve merecer atenção. Mais, deveria ser motivo de leitura nas escolas, para que se pudesse entender a realidade da certa luta pela cidadania.

Gavron não faz uma película com dimensão cénica estrondosa. Talvez não fosse possível, talvez não fosse necessário. Em quatro círculos desenvolve a história e confirma o que chegou até nós.

O apelo da participação de Maryl Streep também não confere ao espectador a satisfação que esperaria. Maryl faz um curto apontamento, menos de quatro minutos, em discurso que não recebe, sequer o melhor da atriz. Ficamos sem saber se é defeito do guião, se falta de inspiração da atriz.

Mas é Maud, que Carey Mulligan bem encarna, quem faz a linha de rumo. Infância desprotegida, vítima de pedofilia, competente operária e prestimosa mãe e esposa, é o seu espírito criativo que a leva a consagrar a luta depois de um acidente perante audição parlamentar. Maud nasce pacifista, perde tudo, emprego, amigos, marido e filho, mas não perde a coragem de uma luta, o sentido de vida para a liberdade.

Se o pacifismo inicial se não verificou suficiente, importava a luta armada, a resistência à prisão e aos atropelos, até a morte perante a inevitabilidade de uma vida entre o nada e o martírio.

O filme termina com a consagração do voto, a previsão de uma circunstância que, ainda hoje, se não verifica em muitos territórios. De Maud não obtivemos o caminho “chaplinista” de um fim, ela desaparece como que se diluindo na multidão de um funeral. Mas importa ter presente que a libertação foi sempre feita de anónimos cuja presença nos anais não consta.

Importa, por hoje, considerar que há novas lutas que podem desvirtuar outras, mais antigas e fundamentais. A dignidade da pessoa humana deve ser integral, sem cedências ao facilitismo, sem opções de corte epistemológico que podem por em causa os fundamentais da nossa existência.

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